quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Novas profissões

Que estejam ligadas aos iphones, aos Boeing 787, aos satélites, às energias renováveis e a esses objectos desconhecidos que nascem todos os dias, aceito. Descriminem à vontade, que eu tanto se me dá. Façam que não percebem, peçam para repetir, para contar o percurso, para explicar "mas porquê?", intriguem-se, aprendam.

Agora que chamem à comunicação uma nova profissão é algo que já me incomoda. Existe desde o tempo em que os macaquinhos davam os primeiros passos para se tornarem homenzinhos. Os gregos (antigos) estudavam retórica. E mesmo se a primeira agência de comunicação do mundo tenha surgido recentemente (1812 segundo a Wikipédia), creio que, 200 anos volvidos, já houve tempo suficiente para interiorizar o conceito na sociedade. Não?

Não. É uma sociedade muito inteligente sim senhora, mas 200 anos não chegam. Estes processos de aprendizagem são demorados e, por vezes, perdem-se de geração em geração. E então há que explicar à senhora das Finanças que por escrever no dia-a-dia não tive necessariamente que tirar Direito e que por fazer consultoria não fui obrigada a tirar gestão. Que por fazer longas pesquisas sobre assuntos diferentes todas as semanas não tive que estudar jornalismo. E que por fazer orçamentos não tive que estudar matemática aplicada.

Amavelmente, a senhora passou-me o livro das profissões e disse-me para escolher uma. E foi assim que por entre folhas quase translúcidas, me apressei, como nos velhos tempos em que a Irmã Teresa colocava os olhos a 2 centímetros da minha cabeça que rezava apenas por encontrar o mais depressa aquele evangelho segundo S. Lucas e se perguntava, com tremores infernais, porque raio a bíblia não tinha um índice, que fiquei com o termo publicitária cravado na pele. Embora o não seja exactamente. Expliquei à senhora quanto previa ganhar até ao final do ano (estimativa sempre por cima, que sou uma pessoa optimista). Foi então que, amavelmente, sempre amavelmente, percebeu o que era a comunicação. E disse-me que "não, querida, nesse caso não terá que descontar nada".

2 comentários:

  1. ah ah ah ah! mt bom! eu já desisti de dizer correctamente o q sou, digo só relações públicas e assim evito ter de explicar a minha agenda de actividades laborais. m eu aqui desconto, e bem!

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  2. Mas deves convir que, quando usada com os parâmetros necessários, entre os quais a inteligência e rapidez de reflexão, conhecimento de economia, política, história, etc, para se não fazerem perguntas provavelmente idênticas às que te fazem, quando procuras emprego - do estilo, como se sentiu quando perdeu o marido, o jogo, o emprego, ou quando ganhou o totoloto... - a comunicação deve ser uma disciplina fascinante. Desejo-te muita, muita sorte nela, que te vai exigir um bom esforço de enriquecimento progressivo. Boa sorte, Ana. Berta

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